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Em prol do reconhecimento do título de gerontólogo25/07/2014

À frente do Departamento de Gerontologia da SBGG, Maria Angélica Sanchez revela suas expectativas para a nova gestão

Articulação com conselhos e associações de classe e reconhecimento do título de gerontólogo são algumas das bandeiras do Departamento de Gerontologia da gestão 2014-2016 da SBGG, revela a assistente social e gerontóloga Maria Angélica Sanchez.

Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia desde 1993, Maria Angélica atua ativamente junto à entidade há oito anos. Já ocupou cargos na Comissão Científica e foi secretária adjunta da SBGG – Seção Rio de Janeiro, onde também presidiu o Departamento de Gerontologia por duas gestões. Confira abaixo suas perspectivas para a gerontologia durante a nova gestão da SBGG.

1) Qual sua expectativa para a nova gestão no campo da gerontologia?
Primeiramente dar continuidade ao trabalho de articulação com os conselhos e associações de classe. Na gestão anterior, fiz parte do Conselho Consultivo e pude, junto com Mariana Alencar, atuar nessa perspectiva. Tínhamos a proposta, desde a SBGG – Seção Rio de Janeiro, de buscar essa aproximação almejando o reconhecimento do título de gerontólogo. Diferente da geriatria, que tem o reconhecimento do título de geriatra pela AMB, a gerontologia necessita do reconhecimento de variadas instituições que congregam uma diversidade de profissionais. A gestão anterior conseguiu estabelecer uma parceria com a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBF) em prol da titulação conjunta, que seria a fonoaudiologia gerontológica. A meta é conseguir alcançar outras sociedades, conselhos e associações de classe. Aliado a isso, temos o propósito de atrair mais profissionais para a SBGG e realizar ações em parcerias om outras entidades. Quando começamos esse trabalho no Rio de Janeiro e fomos para os conselhos regionais de fisioterapia, fonoaudiologia e educação física, muitos profissionais nem sabiam que existia uma sociedade médica em que profissionais de outras áreas pudessem fazer parte. Outra proposta que acredito ser interessante é o projeto SBGG Vai à Escola, com o objetivo de levar informações sobre o envelhecimento para os alunos do ensino fundamental e médio. A ideia é envolver todas os departamentos de gerontologia das seções estaduais do Brasil. A ideia é estimular, nos jovens, maior reflexão sobre o assunto.

2) Qual a importância do reconhecimento do título de gerontólogo?
Muitas pessoas questionam a necessidade do título de gerontólogo. Uma das razões é a falta de reconhecimento da especialização pelos Conselhos. A meu ver, trabalhar com idosos, sobretudo aqueles acometidos por patologias com alta grau de complexidade, não é uma tarefa simples, é preciso estar devidamente habilitado para o exercício da função; conhecer as peculiaridades dos indivíduos que envelhecem. O objetivo é fortalecer, cada vez mais, a identidade do gerontólogo, para que sejamos um grupo de profissionais que atue com qualidade e competência. O título de gerontólogo, emitido pela SBGG, é o reconhecimento de capacidade profissional daqueles que atuam na área do envelhecimento. Sua obtenção requer uma trajetória de intenso trabalho, além de conhecimentos sobre o processo de envelhecimento, políticas públicas, interdisciplinaridade etc. Infelizmente, ainda não é consenso que uma boa atuação requer capacitação.

3) Como analisa a proximidade entre geriatras e gerontólogos?
Essa proximidade é extremamente necessária. Na maioria das vezes, no exercício da prática diária, é muito difícil atender um idoso isoladamente, pois ele pode estar acometido por uma série de problemas funcionais, cognitivos, emocionais e sociais. Portanto, é fundamental o atendimento de várias categorias profissionais, ou seja, uma prática interdisciplinar. Em situações de maior complexidade, o atendimento a um idoso irá requerer outras intervenções. Mesmo os médicos, em determinados momentos, necessitam do suporte da equipe interdisciplinar para reabilitar o idoso. Nesse sentido, somos privilegiados por fazer parte de uma Sociedade mista que congrega profissionais médicos e de outras áreas do conhecimento - isso é enriquecedor, sobretudo nos eventos científicos. A cada dia somos, ao mesmo tempo, mestres e alunos, dividindo os saberes e, com isso, diminuindo a fragmentação do fazer profissional e consequentemente do indivíduo, alvo de nossas ações.

4) Atualmente, como avalia o número de gerontólogos versus a demanda?
Somos um país em franco processo de envelhecimento e, apesar de a Política Nacional do Idoso apontar para a necessidade da inserção de conteúdos geriátricos e gerontológicos nos cursos de graduação, o avanço foi quase imperceptível. São poucas as instituições que adotaram esses conteúdos na grade curricular. Considero este o primeiro passo para a busca da especialização na área. Da mesma forma que o número de geriatras, no País, é muito pequeno para atender a essa demanda crescente, o número de gerontólogos também é. Temos cerca de 330 titulados em gerontologia. Para que avalie a dimensão do que estamos comentando, veja por exemplo o número de geriatras que a SBGG titulou até a presente data – cerca de 1.600. Imaginamos que, minimamente, seriam necessários 5 mil. Na gerontologia não é diferente. Também precisamos aumentar o número de especialistas. Entendemos que as especializações, lato e stricto sensu, vêm cumprindo um excelente papel nessa direção. Na última década, em especial, pôde-se observar o número crescente de profissionais que começam a trilhar o caminho da gerontologia.

5) Os profissionais têm vindo bem preparados para as provas? A SBGG entra com o papel de prover essa educação continuada?
Cada vez mais aumenta o número de pessoas interessadas na prova de títulos. A qualidade dos profissionais que pleiteiam esse título tem melhorado muito. No último concurso, realizado em Belém do Pará, a Comissão de Títulos elogiou muito a qualidade dos candidatos aprovados. Com certeza a SBGG se preocupa com o aprimoramento desses profissionais. Grande parte das seções oferece cursos de atualização, jornadas, seminários, além dos congressos estaduais e o brasileiro. Ademais, o próprio site fornece muitas informações atualizadas sobre o envelhecimento.

6) Quando e como surgiu o interesse em trabalhar com gerontologia?
Sou formada em serviço social há 30 anos. Comecei trabalhando com crianças e adolescentes infratores. Em 1993, trabalhava em um município da região da Costa Verde do Rio de Janeiro, em Itaguaí, e fui convidada para assumir um departamento na Secretaria Municipal de Saúde, com quatro áreas de intervenção divididas em quatro coordenações, sendo uma delas direcionada à saúde do idoso. Como não sabia nada sobre o assunto, comecei a buscar capacitação. Inicialmente, ingressei na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e conheci o Dr. Mário Sayeg, um dos grandes entusiastas pelo estudo do processo de envelhecimento, que estava montando, na instituição, o primeiro curso de especialização na área. Tive a oportunidade de conhecer ícones da geriatria do Rio de Janeiro. Mais tarde ingressei na Universidade Federal Fluminense (UFF), no curso de aperfeiçoamento coordenado pela Dra. Vilma Câmara, e fui seguindo os cursos realizados no Rio de Janeiro: realizei o curso de gerontologia social oferecido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), SESC, entre outros. Com essa capacitação, foi possível montar um excelente trabalho na cidade, com cerca de 600 idosos em atendimento. Depois fiz um mestrado na área de educação e tive como objeto de estudo a perda de autonomia em idosos dependentes. Nesse ínterim, fui convidada para trabalhar na UnATI/UERJ e me envolvi ainda mais no trabalho com a população que envelhece. Posteriormente, fiz outro mestrado e doutorado em epidemiologia tendo como objeto de estudo a adaptação transcultural de um questionário aplicado ao informante para rastreio do declínio cognitivo em idosos. Atualmente, não atuo mais no serviço social. Me dedico ao ensino e pesquisa sobre envelhecimento humano.

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